quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Teratógenos químicos

Apesar do conhecimento da teratogenicidade de diversas substâncias químicas em animais e até a associação destas com defeitos congênitos em humanos, são relativamente poucas as situações em que o efeito teratogênico foi devidamente comprovado na nossa espécie. A seguir estão listados os principais teratógenos químicos em humanos.

Ácido Valpróico (Defeitos de tubo neural). Álcool RCIU, ( retardo mental, microcefalia, ipoplasia maxilar, fissuras palpebrais pequenas, anomalias cardíacas )Anticoagulantes (warfarin dicumarínicos) (Hipoplasia nasal, malformações do sistema nervoso central, anormalidades esqueléticas, alterações oculares ). Antineoplásicos (Malformações múltiplas) Antitireoidianos (Bócio fetal, hipotireoidismo). Fenitoína (Retardo mental, microcefalia, face dismórfica, hipoplasia da falanges distais, incluindo unhas ). Hormônios Androgênios: (Masculinização de fetos femininos.). Dietilbestrol: (mortes fetais, anormalidades uterinas e cervicais (tumores). Lítio (Anomalia cardíaca valvar (Anomalia de Ebstein). Talidomida (Defeitos nos membros (focomelia), anomalias cardíacas e nas orelhas). Tetraciclina ( Hipoplasia e escurecimento do esmalte dentário.) Vitamina A (ácido retinóico) ( Anomalias de sistema nervoso central, coração e orelhas)

Misoprostol

O misoprostol, comercializado com o nome Cytotec, é utilizado na prevenção e tratamento de úlceras por inibir a secreção gástrica. Seu uso com esse propósito não tem sido recomendado durante os períodos iniciais da gestação, pois pode ocasionar contrações uterinas e com risco para o embrião/feto. No entanto, o uso deste medicamento na tentativa de provocar o aborto, fundamentalmente nos primeiros meses de gestação, é bastante difundido no nosso país. Seu uso por via vaginal tem-se demonstrado efetivo na indução do abortamento precoce após a morte fetal.

O uso do misoprostol como abortivo sem acompanhamento médico pode levar a uma gestação que não se perde, ocasionando uma ansiedade adicional na mãe pelo possível risco para o embrião/ feto.

O aborto causado por Cytotec pode ser incompleto, o que poderá resultar em sangramento perigoso, hospitalização, cirurgia, infertilidade ou morte materna ou fetal. Têm sido relatados os seguintes efeitos adversos gastrintestinais (diarréia e dor abdominal) e ginecológicos (sangramentos, distúrbios menstruais, hipermenorréia e dismenorréia). Efeitos adversos adicionais mais freqüentemente descritos incluem: naúsea, dor de cabeça, flatulência, dispepsia, vômitos e constipação.

Estudos prévios (diversos realizados pela equipe do SIAT) já identificaram este fármaco como um teratógeno responsável por malformações no embrião exposto, como defeito de redução de membros, lesões variadas do sistema nervoso central e/ou seqüência de Moebius. Entretanto o risco absoluto para o feto, após uma exposição, ainda não está definido e aparentemente é inferior a 10%.

O Cytotec não deve ser usado em mulheres grávidas. As mulheres devem ser orientadas no sentido de não engravidarem enquanto estiverem tomando este medicamento. Se acontecer de uma delas engravidar quando em uso de Cytotec, a administração deste produto deve ser imediatamente interrompida.


Mercúrio

O mercúrio é um agente teratogênico, que é transferido da placenta da mãe para o feto, causando sérios danos ao feto em desenvolvimento, principalmente em nível neurológico. O mercúrio inorgânico tem menor capacidade de atravessar a parede placentária, mas também é encontrado no líquido amniótico e leite materno, causando defeitos no desenvolvimento cerebral, paralisia cerebral severa e microcefalia e poderia influenciar o status hormonal (o eixo hipofisehipotalamo), causando um ciclo menstrual irregular, menos ovulações, além dos efeitos teratogênico acima mencionados.
Os testes genotóxicos detectam mutações, tanto a nível cromossômico quanto a nível gênico. Tais mutações são responsáveis pelo surgimento de cânceres e doenças hereditárias.

Referência:CARDOSO, Plínio Cerqueira dos Santos; LIMA, Patrícia Lima de; BAHIA, Marcelo de Oliveira; AMORIM, Marúcia Irena Medeiros de; BURBANO, Rommel Rodríguez; FARIAS, Rômulo Augusto Feio. Toxicidade do Mercúrio.

Chumbo

É aceito a idéia de que o chumbo causa efeitos adversos sobre o sistema reprodutor feminino e masculino. No início do século XX foi relatado que mulheres que trabalhavam com chumbo estavam mais suscetíveis a abortos e partos de natimortos. O chumbo atravessa a barreira placentária e pode causar danos fetais. Uma vez que ele consegue ser transportado para o cordão umbilical e para o leite materno, mostrando que há transferência do metal para o feto ou recém-nascido, respectivamente.
O chumbo entra no organismo das mulheres grávidas pela inalação ou ingestão e pode se depositar nos ossos, de onde passa para o sangue e atravessa a barreira placentária atingindo o feto. Os bebês podem ter sua carga corpórea aumentada pela amamentação.
O sistema nervoso dos bebês é particularmente sensível aos efeitos tóxicos do chumbo. Está comprovado que o chumbo causa prejuízos irreparáveis ao desenvolvimento do feto e do bebê. Causam malformações estruturais no feto, baixo peso ou disfunções metabólicas e biológicas. São utilizadas análises sanguíneas para garantir que o feto está protegido de qualquer dano, especialmente nas semanas que antecedem a confirmação da gravidez e durante o aleitamento.
Existem fortes evidências de que o chumbo é inviável não apenas para o feto, como também para o desenvolvimento normal deste. As causas são baixo peso ao nascer, nascimento prematuro. Apesar de ser teratogênico em animais, não foi possível determinar a relação entre os níveis de chumbo e as malformações cogênitas em humanos, mas é considerado como carcinogênico.
O aumento de cálcio na dieta da gestante pode diminuir a acumulação de chumbo fetal, mas não consegue conter a redução de peso e altura.

Referência: MOREIRA, Fátima Ramos; MOREIRA, Josino Costa. Os efeitos do chumbo sobre o organismo humano e seu significado para a saúde. Rev. Panam Salud Publica. 2004; 15.

Mercúrio


Os compostos orgânicos de mercúrio podem ter efeitos adversos no feto. O metilmercúrio da mãe é transferido para a placenta e transportado para o feto, no entanto, o mercúrio inorgânico tem uma menor capacidade de atravessar a barreira placentária, sendo encontrado em maior quantidade no líquido amniótico. O mercúrio inorgânico é também transportado pelo leite materno. Estes compostos de mercúrio, principalmente os orgânicos, causam sérios danos ao feto em desenvolvimento, principalmente a nível neurológico.
A exposição pré-natal a compostos de mercúrio orgânico, principalmente após desastres industriais, leva a defeitos no desenvolvimento cerebral que eram mais intensos à medida que a exposição era mais elevada. Mulheres sem sinais clínicos de contaminação tiveram filhos com paralisia cerebral severa e microcefalia.