domingo, 6 de dezembro de 2009

Cocaína na gravidez

Durante a gestação, o uso de determinados medicamentos e drogas traz riscos para a saúde da gestante e do bebê.

Alguns compostos tóxicos podem atravessarem a placenta e atingir a circulação do feto, desencadeando alguns problemas no recém nascido, como culminando deformações e déficits intelectuais.

O impacto da cocaína no utero foi avaliado a partir da medida do fluxo de sangue direcionado ao cérebro, em diferentes fases do desenvolvimento do sistema nervoso central do embrião. Os resultados divulgados demonstraram, que há uma diminuição global da chegada de sangue ao cérebro dos bebês, cujas mães fizeram uso dessa droga durante a gravidez.

A cocaína também aparece no leite materno, podendo levar à intoxicação.

Gestantes que têm dificuldades em parar de usar cocaína ou que usem a forma injetável devem ser encaminhadas para um centro de tratamento especializado, onde possam romper os ciclos de uso repetido, através de acompanhamento continuado da paciente, em grupos de auto-ajuda ou em psicoterapia de grupo ou individual. Além do acompanhamento do desenvovimento fetal através de ultrassonografia.

Varicela – risco à gestante e seu bebê


Com maior incidência na Primavera, a varicela apresenta risco à gestante e seu bebê.

Se contrair a popular catapora na gravidez, a mulher pode apresentar a forma grave da doença, além de complicações. As conseqüências para o bebê variam conforme o período em que a gestante foi infectada. A vacina é a melhor maneira de prevenir a doença em crianças, jovens e adultos. No Brasil, trabalhos científicos demonstram que 10% da população acima de 10 anos encontra-se vulnerável à varicela. Causada pelo vírus Varicela Zoster, esta doença infecciosa apresenta maior incidência na primavera. Altamente transmissível, atinge indiscriminadamente crianças, jovens e adultos, provocando lesões na pele e nas mucosas, coceira intensa, febre e dor. Os sintomas iniciais são semelhantes aos de uma virose: febre, coriza e tosse. Até que surgem pequenas manchas nas costas, peito e abdômen. As manchas se transformam em bolinhas vermelhas (pápulas), que se transformam em bolhinhas com líquido (vesículas) e, finalmente, crostas (casquinhas). Em crianças, esse processo progressivo gera de 250 a 500 lesões pelo corpo. Como não pode se imunizar durante a gestação, a futura mamãe precisa tomar a vacina até um mês antes de engravidar. Caso contrário, se contrair a varicela durante a gravidez, corre o risco de ter a forma grave da doença, que provoca de 500 a mil lesões no corpo – o dobro do tipo leve. Isto porque seu sistema imunológico está vulnerável. Pode ainda desenvolver um dos três tipos de complicação da varicela. Os mais comuns são as lesões na peles, seguidos de problemas no sistema nervoso e nas vias respiratórias. Se for ao primeiro trimestre da gravidez, a varicela pode provocar desde a má formação do feto (atingindo membros, órgãos e o cérebro) até a morte dele. Após o sexto mês, o bebê pode nascer com varicela inaparente e desenvolver herpes zoster na fase adulta ou na velhice. Esta doença causa lesões na pele, principalmente no tronco, e intensa dor. O maior problema ocorre quando a mulher apresenta os sintomas da varicela cinco dias antes do parto ou dois dias após o nascimento do bebê. Como não conseguiu desenvolver ainda anticorpos contra o vírus, ela adoece e passa o vírus em grande quantidade ao recém-nascido. No bebê, a doença é muito grave, porque seu sistema imunológico é imaturo.

Imunização A vacina contra varicela é recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pela SBIm embora ainda não integre o calendário oficial de imunização. Há 12 anos, os Estados Unidos introduziram a vacina no calendário básico para reduzir os quatro milhões de casos, 11 mil internações e cem mortes por ano registrados até então. Dos óbitos, a maior parte era de crianças saudáveis até 14 anos.
No Brasil, a varicela não é uma doença de notificação compulsória, exceto quando ocorrem surtos em creches, pré-escolas, escolas e na comunidade que são notificados ao Sistema Nacional de Agravos Notificáveis (Sinan). No ano passado, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo registrou 3.408 surtos, com 18.554 casos, dos quais 56,7% em crianças de um a quatro anos e 31% na faixa de cinco a nove anos.
Como é produzida com vírus vivos atenuados (enfraquecidos), a vacina deve ser aplicada em crianças maiores de 12 meses, a exemplo do procedimento adotado com a vacina tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola). Isto porque até um ano de idade, o bebê carrega os anticorpos da mãe, que podem neutralizar o efeito da vacina. A proteção da vacina também é mais longa quando aplicada após um ano de idade. A imunização só deve ser feita antes desta idade, se houver contato do bebê com uma pessoa doente. A vacina evita a varicela quando aplicada até 72 horas após a exposição ao vírus, não só em bebê, mas também em pessoas todas as faixas etárias.

Referência: http://www.revistavigor.com.br/2007/09/26/varicela-risco-a-gestante-e-seu-bebe/

O diagnóstico da toxoplasmose na gestante e no recém-nascido


O diagnóstico da infecção produzida no homem pelo Toxoplasma gondii durante a gestação e o seu reconhecimento nos recém-nascidos é especialmente importante pela gravidade das lesões, muitas vezes definitivas. É uma das mais danosas doenças para o feto particularmente quando a gestante adquire a infecção nos dois primeiros trimestres da gravidez. A toxoplasmose é uma zoonose adquirida de numerosas espécies animais, mas tem como hospedeiro definitivo o gato. Em humanos, a infecção pode ocorrer em qualquer período da vida, o que é evidenciado pela freqüência crescente dos testes sorológicos positivos com a idade, nos dois sexos. A incidência da infecção por Toxoplasma gondii varia dentro das comunidades humanas, dependendo dos hábitos alimentares, do contato com animais portadores da doença e das condições climáticas. Na presente edição de Pediatria (São Paulo) verificou que cerca de 60% das gestantes haviam tido infecção prévia (soroconvertidos, com IgG positiva). Em alguns países da Europa como a França, cerca de 50 a 70% dos adultos jovens já foram infectados. Sob aspecto de risco para o feto, são as pacientes restantes, suscetíveis e com ampla possibilidade de aquisição do parasita, que causam preocupação aos médicos e à sociedade. A infecção materna primária durante a gestação pode determinar parasitemia, infecção placentária (placentite) e acometimento do feto; o risco de infecção fetal é próximo de 40%, e inversamente proporcional ao tempo de gestação no qual a infecção materna ocorreu. O risco da infecção fetal é de 20, 50 e 80%, respectivamente, para o primeiro, segundo e terceiro trimestres de vida. Por outro lado, a gravidade das lesões é tanto maior quanto mais precoce durante a gestação. A importância do diagnóstico imediato da infecção é a possibilidade de tratamento da gestante com espiramicina, que diminui o risco de transmissão do microorganismo para cerca de 4,20 e 50%, respectivamente no 1º, 2º, e 3º trimestres de gestação 4,5,11o diagnóstico da toxoplasmose durante a gestação deve ser buscado ativamente, e para isto tem sido utilizados testes sorológicos para anticorpos IgG e IgM, e, se possível o teste de avidez de IgG anti-toxoplasma. As gestantes susceptíveis devem realizar pelo menos uma vez por mês os exames sorológicos a fim de detectar a viragem sorológica e desta forma iniciar o tratamento o mais precoce possível com espiramicina. Um tratamento alternativo da gestante com pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico pode ser realizado, após a 16a a 18a semana de gestação, quando o feto estiver infectado. Apesar do tratamento das infecções gestacionais a doença pode afetar de maneira variada o feto, e o diagnóstico da infecção no recém-nascido deve ser feito, o que não é fácil. Clinicamente, apenas 15 a 20% das crianças com toxoplasmose congênita têm evidência da doença ao nascer, e muitas das manifestações clínicas são similares às de outras infecções congênitas, principalmente as da citomegalia. Para o diagnóstico da toxoplasmose congênita, o conhecimento dos antecedentes epidemiológicos e obstétricos é importante, Os sinais e sintomas mais associados ao quadro são: anemia, icterícia, hepatomegalia, esplenomegalia, peso baixo ao nascimento, prematuridade; e os mais específicos são os associados ao acometimento do Sistema Nervoso Central (SNC) e das túnicas oculares 1,2,7,9,11,12. As formas clínicas de apresentação da toxoplasmose na criança são quatro, classificadas segundo a sintomatologia e o momento de constatação da doença: doença neonatal, sintomática nos primeiros meses de vida, seqüela ou recidiva reconhecida tardiamente (até na adolescência), e a infecção subclínica. A doença neonatal em cerca de 80 a 90% dos casos apresenta manifestações clínicas generalizadas predominantemente viscerais e neurológicas. Em torno de 15% dos recém-nascidos infectados as lesões oculares são o único sinal clínico, sendo a retinocoroidite, geralmente bilateral, a principal lesão observada. Esta pode acompanhar-se de outras alterações oculares: iridociclite, catarata, glaucoma, estrabismo, nistagmo e descolamento da retina. A afecção cerebral pode ser reconhecida pela microcefalia, que mostra quadro grave geralmente letal; hidrocefalia de tipo obstrutivo é a manifestação mais freqüente (de 16 a 80%), e pode ocorrer isoladamente. Outros sinais e sintomas neurológicos são o retardo do desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM), as calcificações intracranianas, crises convulsivas, opistótono e dificuldades de deglutição. O diagnóstico da forma sintomática dos primeiros meses de vida é feito pelas manifestações neurológicas e oculares. A retinocoroidite pode manifestar-se após meses de vida, assim como pode curar-se com ou sem tratamento, deixando cicatrizes (retinocoroidite residual). A microftalmia pode ser observada nesta fase, e constitui uma das alterações oculares mais graves, que ocorre em cerca de 20% das crianças com lesões oftálmicas. É freqüentemente associada à uveíte anterior e posterior, catarata ou a total disrupção do globo ocular. Como sinais para suspeita clínica deve-se atentar ao estrabismo e ao nistagmo, observados em torno de 50% dos casos. Do ponto de vista laboratorial, o exame do LCR é de fundamental importância tanto na infecção sintomática como na assintomática. Achados anormais neste exame são sempre indicativos de doença do SNC. A pesquisa direta do T. gondii em líquidos e fluídos corporais-sedimentos do líquor, sangue de cordão ou periférico, e urina é difícil, como também a recuperação do organismo após inoculação em cérebro ou peritônio de camundongo; as técnicas são trabalhosas e demoradas. Seu emprego é limitado ao estudo de pacientes gravemente acometidos. O diagnóstico sorológico é difícil devido à presença dos anticorpos maternos de transferência passiva, que podem interferir na resposta sorológica do feto e RN com infecção intra-uterina. O método é o mais frequentemente utilizado para diagnóstico da toxoplasmose congênita, baseia-se no encontro de anticorpos IgM específicos ou na persistência de anticorpos IgG anti-toxoplasma no soro da criança, comparados com o soro materno. A demonstração de anticorpos IgM, IgA ou IgE para Toxoplasma gondii no soro de RN é característico de infecção congênita. No entanto, resultados sorológicos falso-negativos ou positivos para anticorpos IgM podem ocorrer.

Referência: http://www.pediatriasaopaulo.usp.br/upload/pdf/1184.pdf

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Rubéola


Essa enfermidade apresenta este nome pelo aspecto avermelhado ou rubro do paciente. A Rubéola é uma doença aguda, benigna, contagiosa, de crianças e adultos jovens. É conhecida como "sarampo alemão" ou sarampo de três dias. É uma das poucas infecções virais que está associada à gênese de anormalidade fetal. Na maioria das pessoas, a rubéola apresenta pouco ou nenhum sintoma. Isto é particularmente verdadeiro na criança. Naqueles que desenvolvem sintomas, estes surgem 2 a 3 semanas após a transmissão. Porém, até 10 dias antes do aparecimento dos sintomas, o indivíduo contaminado já pode transmitir o vírus para outros... Naqueles que apresentam a doença após a contaminação, o quadro típico inicia-se como qualquer virose, com febre e prostração. Um exame físico mais cuidadoso pode revelar linfonodos (ínguas) na nuca e atrás das orelhas, que são bem característicos da rubéola. Após 1 a 3 dias de sintomas inespecíficos, surge o rash (exantema) da rubéola, que são manchas vermelhas difusas,o rash costuma começar na face e descer para o resto do corpo em questão de horas. Dura em média 3 dias e depois desaparece. Após esse período, o risco de transmissão cai muito, sendo praticamente nulo após mais 5 dias. O diagnóstico é feito através do quadro clínico, 4 dias após o aparecimento do rash, o corpo já possui anticorpos contra a rubéola, o que permite realizar sorologia para confirmar laboratorialmente a doença. Como nesta fase as maiorias das pessoas já estão curadas ou em processo de cura, e como não há tratamento específico para rubéola, sua confirmação laboratorial geralmente é desnecessária,pois o corpo desenvolve anticorpos que impedem novos episódios. Portanto, rubéola só se pega 1 vez na vida. São raros e brandos os casos de reinfecção. A grande preocupação em relação a rubéola, está na contaminação de mulheres grávidas. Se em crianças e adultos a doença é branda, no feto em desenvolvimento ela pode ser catastrófica. Se adquirido durante o primeiro trimestre, o risco de mal formações é maior que 80%. Além dos defeitos morfológicos, 1 em cada 5 mulheres infectadas sofre aborto nesta fase. O rash desaparece rápido, mas os linfonodos e as dores articulares podem durar ainda alguns dias. Crianças se recuperam mais rápido que adultos. Outros sintomas que podem ocorrer são cefaléia (dor de cabeça), conjuntivite, dor nas articulações, tosse e coriza. Dos que apresentam doença, praticamente todos melhoram espontaneamente. Porém, raramente, o vírus da rubéola pode acometer o cérebro, levando ao que chamamos de encefalite viral, um quadro gravíssimo e com alta mortalidade. Em vários países do mundo o aborto é permitido em casos de rubéola no 1º trimestre.Recém-nascidos com rubéola congênita podem transmitir o vírus por até 1 ano, sendo necessário evitar o seu contato com outras grávidas não imunizadas.Infecções contraídas após a 20º semana trazem pouco risco de mal formações, porém ainda existe a chance de transmissão da virose para o feto. Normalmente estas crianças nascem com baixo peso, mas sem defeitos na formação. Nas grávidas a sorologia ganha muita importância. Toda gestante deve ser testada para rubéola e nos casos negativos, deve-se dobrar os cuidados em relação a contato com pessoas com sintomas de virose. A sorologia é importante também naquelas mulheres susceptíveis que desenvolvem síndromes febris com rash durante a gravidez. A suscetibilidade é geral.

A imunidade ativa é adquirida através da infecção natural ou por vacinação. A imunidade é duradoura após infecção natural, permanecendo por quase toda a vida após a vacinação. Filhos de mães imunes geralmente permanecem protegidos por anticorpos maternos durante os primeiros 6 a 9 meses. Tem sido relatada a ocorrência de reinfecção, em pessoas imunes através de vacinação ou infecção natural, reexpostas ao vírus; essa ocorrência é usualmente assintomática, sendo detectável apenas por métodos sorológicos. Ela é prevenida com a vacina Tríplice viral sendo eficiente em quase 100% dos casos e deve ser administrada em crianças aos 15 meses de vida. Mulheres que não tiveram a doença devem ser vacinadas antes de engravidar. A maior proporção de casos está ocorrendo faixa de idade entre 15 a 29 anos, quando as mulheres estão em idade fértil, caracterizando um risco de nascerem bebês com a Síndrome da Rubéola Congênita.

É importante que se consiga vacinar mais de 95% das mulheres, pois desta forma reduz-se a circulação do vírus. As mulheres que já tiveram filhos ou que não pretendem tê-los, recebendo a vacina não transmitirão o vírus para gestantes.

As mulheres já vacinadas ou que referem já ter tido a doença ao receberem a vacina contra a rubéola NÃO têm risco de apresentarem maiores efeitos colaterais, além disso estarão mais protegidas pois cerca de 5% das vacinadas anteriormente podem não ter desenvolvido anticorpos. A mulher grávida deverá receber a vacina somente após o parto, na própria maternidade ou em qualquer unidade de saúde. Esta vacina continuará disponível nas unidades de saúde, após a campanha para estas mulheres. Quem não teve a doença deve evitar o contato com pessoas infectadas pelo vírus da Rubéola.

Por causa de sua semelhança com várias outras enfermidades, o diagnóstico preciso de Rubéola só pode ser obtido pelo exame sorológico. Como toda vacina com vírus vivo, ela não deve ser tomada por pessoas imunodeprimidas, com doença febril ativa e grávida.

A vacinação existe devido à capacidade do vírus em atravessar a placenta e infectar o bebê, quando uma mulher grávida adquire a doença. E não só infecta como é capaz de causar a chamada Síndrome da Rubéola Congênita.

A Síndrome da rubéola congênita consiste na maioria das vezes da seguinte tríade:

1. Surdez sensório-neural – 58% dos casos

2. Anomalias oculares, especialmente catarata e microftalmia – 43%

3. Cardiopatia congênita – 50%

O aumento de casos é observado durante a primavera. Epidemias importantes têm sido observadas a cada 10 a 30 anos, enquanto epidemias menores ocorrem a cada seis a nove anos; elas ocorrem de forma cíclica, a depender do aumento de indivíduos susceptíveis. A Rubéola é de distribuição universal. A sua distribuição geográfica depende do grau de imunidade e suscetibilidade da população, além da circulação do vírus na área. A sua ocorrência é maior nas faixas etárias de 5 a 9 anos de idade. No entanto, com a introdução do uso da vacina, observa-se o deslocamento da incidência para outras faixas etárias, acometendo adolescentes e adultos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Sífilis Congênita


A transmissão da sífilis adquirida é predominantemente sexual, e aproximadamente um terço dos indivíduos expostos a um parceiro sexual com sífilis adquirirá a doença, é transmitida de pessoa para pessoa através do contato direto com a ferida provocada pela doença. As feridas costumam geralmente ocorrer nos genitais externos, vagina, ânus ou reto. Elas também podem aparecer nos lábios e boca. A transmissão do organismo acontece durante o sexo vaginal, anal ou oral. Mulheres grávidas com sífilis podem passar para o bebê. Quando o bebê adquire a doença da mãe ela é chamada de sífilis congênita. A sífilis não é transmitida através do contato com acentos de banheiros, maçaneta de porta, água da piscina, banheira, roupa ou talheres. A sífilis é uma doença infecciosa causada pelo Treponema pallidum. A sífilis congênita (SC) é conseqüência da infecção do feto pelo Treponema pallidum através da placenta de uma mulher grávida, que esteja infectada pela sífilis. Sua ocorrência dá-se devido às falhas no serviço de saúde, principalmente no pré-natal, pois o diagnóstico precoce e o tratamento da gestante são bastante eficazes na prevenção desta forma da doença. A sifilis congênita pode ser confundida, nos primeiros dias de vida, com infecções como rubéola, toxoplasmose, citomegalia, herpes; mais tardiamente as manifestações acabam se confundindo com sarampo, catapora, escarlatina e até escabiose. Sífilis congênita é a sífilis adquirida no útero e presente ao nascimento. Acontece quando uma criança nasce de uma mãe com sífilis primária ou secundária. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, 40% dos nascimentos de mães sifilíticas são nadomortos, 40 a 70% dos sobreviventes estão infectados e 12% destes morrerão nos primeiros anos de vida. Manifestações de sífilis congênita incluem alterações radiográficas, dentes de Hutchinson (incisivos centrais superiores espaçados e com um entalhe central); "molares em amora" (ao sexto ano os molares ainda tem suas raízes mal formadas); bossa frontal; nariz em sela; maxilares subdesenvolvidos; hepatomegalia (aumento do fígado); esplenomegalia (aumento do baço); petéquias; outras erupções cutâneas; anemia; linfonodomegalia; icterícia; pseudoparalisia; e snuffles, nome dado à rinite que aparece nesta situação. Os "Rhagades" são feridas lineares nos cantos da boca e nariz que resultam de infecção bacteriana de lesões cutâneas. A morte por sífilis congênita normalmente é por hemorragia pulmonar. Didaticamente, a SC é classificada em: SC recente, quando os sintomas surgem nos 2 primeiros anos de vida, sendo mais evidentes do 1ºao 3º mês, como: prematuridade,baixo peso, rinite com secreção nasal sanguinolenta, alterações ósseas (osteocondrite, periostite, osteíte), choro ao manuseio, aumento de fígado e baço, pneumonia, icterícia, anemia, lesões de pele (comdiloma plano e pênfigo palmo plantar); SC tardia, quando os sintomas surgem a partir do segundo ano, com alterações dos ossos (tíbia em sabre, fronte olímpica, deformações de dentes, mandíbula curta, alterações oculares, surdez, dificuldade no aprendizado e retardo mental).
Dependendo da quantidade de tempo que a mulher grávida esteve infectada, ela pode apresentar alto risco de ter um natimorto ou que o bebê morra logo depois do parto. Um bebê com sífilis congênita pode nascer sem os sintomas da doença. Porém, se não for tratado imediatamente, o bebê pode desenvolver sérios problemas em algumas semanas. Bebês sem tratamento podem ter seu desenvolvimento retardado ou morrer.
A transmissão da mãe infectada para o bebê pode ocorrer em qualquer fase da gestação ou durante o parto. Estando presente na corrente sangüínea da gestante, após penetrar na placenta, o treponema ganha os vasos do cordão umbilical e se multiplica, rapidamente, por todo o organismo da criança que está sendo gerada. A infecção do feto depende do estágio da doença na gestante. Quanto mais recente a infecção materna, mais treponemas estarão circulantes e, portanto, mais grave será o risco de transmissão para o bebê. Sendo assim pode ocorrer em qualquer fase da gravidez, acarretando aborto espontâneo; morte fetal; prematuridade; recém-nascidos com sintomas da doença e até mesmo aparentemente normais. Muitas vezes, a infecção pode passar desapercebida dependendo do tratamento ou não que a mãe recebeu. A sífilis pode se manifestar logo após o nascimento ou durante os primeiros dois anos de vida da criança. Na maioria dos casos, os sinais e sintomas estão presentes já nos primeiros meses de vida.

Ao nascer, a criança infectada pode apresentar problemas muito sérios, entre eles: pneumonia, feridas no corpo, cegueira, dentes deformados, problemas ósseos, surdez ou retardamento. A doença pode também levar à morte. Há ocorrências em que a criança nasce aparentemente normal e a sífilis se manifesta só mais tarde, após o segundo ano de vida.

A prevenção da SC mais efetiva consiste em oferecer a toda gestante uma assistência pré-natal adequada. A SC é uma doença de fácil prevenção desde que a gestante infectada seja detectada e prontamente tratada, assim como devem ser oferecidos o exame e o tratamento ao seu parceiro sexual. Porém, as medidas de controle podem ocorrer de outras maneiras:

Antes da gravidez:
Prevenção da sífilis na população feminina em geral:
  • Uso de preservativos
  • Diagnóstico precoce em mulheres em idade reprodutiva e em seus parceiros
  • Realização do teste VDRL em mulheres que manifestem intenção de engravidar
  • Tratamento imediato dos casos diagnosticados em mulheres e seu parceiro
Tratar a paciente adequadamente, gestante ou não, conforme a fase clínica
  • Sífilis primária: Penicilina Benzatina 2400000 UI IM dose única
  • Sífilis secundária: Penicilina Benzatina 2400000 UI IM sem por 2 sem
  • Sífilis terciária: Penicilina Benzatina 2400000 UI IM sem por 3 sem reforçar a orientação para que a paciente e seus parceiros evitem relações sexuais quando em tratamento,e só as tenham usando preservativos. Realizar o controle de cura trimestral.
Durante a gravidez:

Diagnóstico precoce da sífilis materna no pré-natal:
  • Realizar o teste VDRL – Pesquisa Laboratorial de Doenças Venéreas - na 1ª consulta do pré-natal e no início do 3º trimestre
  • Tratar imediatamente os casos diagnosticados nas gestantes e seus parceiros, evitando a reinfecção da gestante.
(Tratamento Adequado: feito apenas com Penicilina, usando as doses adequadas conforme a fase clínica, sendo feito antes de 30 dias antes do parto e tratando adequadamente o seu parceiro sexual)

Na admissão para o parto ou curetagem por abortamento:
  • Realizando o VDRL em toda paciente para parto ou abortamento
  • Manejo adequado do recém nascido, realizando VDRL de sangue periférico de todos aqueles cujas mães apresentaram VDRL reagente na gestação ou parto; ou em caso de suspeita clínica de sífilis congênita.
  • Tratamento imediato de casos detectados de SC ou sífilis materna e de seus parceiros
  • Notificação e investigação dos casos detectados, inclusive aborto e natimortos por sífilis. Prevenção
Realização do teste diagnóstico em mulheres com intenção de engravidar, tratamento imediato dos casos diagnosticados nas mulheres e em seus parceiros.

Tratamento
Realizar testes em amostra de sangue dos recém-nascidos cujas mães apresentaram infecção pela sífilis ou em casos de suspeita clínica de sífilis congênita. O tratamento deve ser imediato nos casos detectados e deve ser feito com penicilina. Com o tratamento adequado, mães com sífilis podem dar à luz a crianças saudáveis.
A notificação e investigação dos casos detectados, incluindo os que nascem mortos ou os casos de aborto por sífilis, são compulsórias e dever de todo cidadão, obrigatórias a médicos e outros profissionais de saúde no exercício da profissão, bem como responsáveis por organizações e estabelecimentos públicos e privados de saúde (Lei nº 6259).